Ser mãe é uma confusão de sentimentos do começo ao fim. Eu liguei o piloto automático no dia que a mocinha do laboratório falou “positivo” e nunca mais desliguei. Minha gravidez foi punk, nem eu sei como deu tudo certo no final. Mas deu, e dá todos os dias desde que ele chegou. Com um olhar muito do esperto, uma sagacidade própria, um charminho que derrete icebergs, um sorriso que aquece até o inverno de Sâo Paulo e o cabelo black power mais lindo do planeta, ele é a razão do meu viver.

O tempo voa. Quando a gente olha pro lado eles já pararam de falar igual ao Cebolinha e te perguntam porque você adora o hip hop. E começam a escrever… E foi assim o dia em que meus 32 anos na terra fizeram sentido: domingo ele sentou pra fazer a lição de casa e escreveu Rakim. Cinco vezes. E ainda disse assim: “Foi meu avô que me ensinou a escrever meu nome”. E foi como se o mundo inteiro fizesse sentido, como se as pontas do amor incondicional se juntassem e dessem um laço.

Uma certeza de que papai do céu foi muito legal comigo e colocou no meu caminho as melhores pessoas do planeta.

Olha meu filho, se eu tivesse que te desejar só uma coisa nessa estrada imensa que você tem pela vida, seria essa: escreva sua própria história. Use a borracha, a caixa de lápis de cor inteira, canetinha, esferográfica e o teu sorriso. E não importa se a sua letra for meio torta e até desengonçada, como a minha, ou hieroglifos como do seu tio Leo, ou perfeita como a do seu pai. O que importa é que cada pedacinho da história te traga a sensação de que vale a pena. Porque vale, filho, tudo vale a pena se a alma não é pequena.