Ontem eu fui ver/ouvir Jeff Koons numa palestra que fez parte dos eventos de abertura da expo Em Nome dos Artistas, na Bienal. E amei no maior dos graus.

Eu tenho uma queda por pessoas que curtem desconstruir. Vamos ao exemplo prático: diga algumas palavras sobre o trabalho de Koons de acordo com o senso comum – irônico, violento, infantil, pornográfico. E, na boa, não é nada disso.

Ali, no auditório do Ibirapuera lotado, ele contou pra entendidos, curiosos e apaixonados sua versão da própria história. E foi apaixonante. E serve pra todo mundo.

Eu cheguei atrasada – bingo! – e a primeira frase pela metade que ouvi ao entrar foi: “art is about no judgment, it’s about remove judgment”. É sobre aceitação das diferentes formas de comunicação. E daí pra frente foi só surpresa, uma apresentação muito emocional e simples – no melhor dos sentidos – de sua obra, com enfoque na série Celebration.

Jeff contou que quando criança vendia doces, papéis de presente e outras coisas de porta em porta e o que mais o excitava era não saber qual seria a reação da pessoa que abrisse a porta. E até hoje, este é o sentimento que move seu processo criativo.

O papel do artista seria apresentar ao público objetos e sensações que talvez não fossem alcançados senão através da arte. Contribuir para melhorar a vida das pessoas é um dos principais objetivos do seu trabalho.

Quando questionado se acreditava no poder terapêutico / auto-ajuda da arte, ele disse que sim.

Sobre os críticos, ele disse – e foi aplaudido – que na verdade a linguagem é um veículo muito complexo e poderoso, e que as palavras acabam tendo diferentes significados para cada pessoa (sobre ironia, pornografia e críticas ferozes sobre seu trabalho), e que, na sua versão de si mesmo, ele é apenas um artista romântico, tentando provocar sensações que tornem a vida das pessoas muito melhor.

And that’s all about art. Love you Jeff, many thanks.

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